Sexta-feira, Agosto 21, 2009

A reforma política que eu quero

Não que alguém tenha me perguntado ou que minha opinião faça alguma diferença. Mas eu vou deixar aqui minha opinião:

1. Presidência: Nada contra o sistema atual. Máximo de 2 mandatos. A única coisa que eu mudaria era adicionar um limite de 2 mandatos por pessoa. Eu também gostaria de adicionar uma lei proibindo um presidente após o segundo mandato de ser possuir qualquer cargo indicado no Poder Executivo. Mas aí é pedir demais. O fim da Medida Provisória, ou a menos o fim da história de MP trancar pauta também seria muito bom.

2. Judiciário: Eu gostaria de eliminar os tribunais eleitorais e transferir os casos pra justiça comum. Também seria legal se as sentenças fossem executadas após a decisão em primeira instância, sem liminares para suspender execução até o último recurso a não ser em casos extremos.

3. Senado: Aqui é onde eu vejo maior espaço pra mudança. O primeiro passo é eliminar o cargo de suplente. É desnecessário. Uma lei convocando novas eleições no estado caso um mandatário se ausente do cargo resolveria e convocando o segundo colocado se isso ocorrer antes da metade do mandato. No caso de um senador pedir licença temporária (para assumir um ministério, por exemplo) o cargo fica vacante até ele retornar. Isso terá dois efeitos positivos. O primeiro é a valorização pelo senador da cadeira, através do "foi à roça perdeu a carroça" - com o potencial de enfurecer os eleitores se a manobra for mal feita. O segundo resultado é acabar com os suplentes, senadores sem voto e que têm sido usado como peões de luta política no senado.

4. Câmara dos deputados: Pedir pra diminuir o número de deputados seria bom, mas isso não vai acontecer. Mas o fim dos cargos de suplente seria bom. No meu mundo ideal, teríamos voto distrital, mas isso não vai acontecer no Brasil, porque não há cultura distrital. Sendo assim, ao menos o fim do voto em legenda seria positivo. Nem é preciso dizer o que eu acho da idéia de voto em lista fechada. Nem sei se há suplentes no parlamento mas não é preciso dizer que eu sou a favor do fim, se eles existem. E fim de licenças para esses caras. Quer assumir um cargo incompatível com o posto na câmara? Cai fora. Sem novas eleições. Já tem deputado o suficiente, não vai fazer falta.

5. Calendário eleitoral: Esse é o ponto em que eu acho que coisas interessantes podem ser feitas. A coisa é eliminar a sincronização entre as eleições para deputado e as outras. Algo assim: nos anos múltiplos de 4, eleições para senado, e executivo, nos três níveis. Entre duas eleições gerais sucessivas, coloquem eleições para deputados. A idéia é que os eleitores brasileiros passem a prestar atenção em quem eles estão votando para deputado. Isso é difícil demais de se fazer quando na mesma eleição, temos que escolher tantos outros cargos. Isso leva pessoas a votar em legenda, ou votar no primeiro candidato com santinho.

Opiniões?

Terça-feira, Julho 07, 2009

O enigma de Honduras...

Talvez eu seja realmente inocente que nem alguns comentaristas gostam de falar. Mas eu realmente ainda não entendi porque é que a OEA e todos os países americanos, incluindo aí os EUA, resolveram condenar o expurgo do ex-presidente hondurenho. Às vezes dá realmente vontade de entrar no bonde do anti-comunista do Olavo de Carvalho.

Honduras, um refém contínuo das ditaduras ao longo do séculos 20, resolveu na constituição de 1982 botar um artigo explícito proibindo terminantemente qualquer pessoa de ocupar o cargo de presidente por mais de um mandato. Foi ainda além e, como diz o artigo 239, considerou crime de lesa-pátria qualquer tentativa de extender um mandato, retirando os direitos civis de qualquer pessoa que tente fazê-lo por 10 anos. Não sei se é possível ser mais próximo de uma cláusula pétrea do que isso.

Ah, mas essa é uma análise extremamente legalista. OK. Então vamos fazer uma análise institucional. O presidente Zelaya tentou fazer um plebiscito para votar a extensão de seu mandato. O parlamento repudiou a tentativa. O judiciário considerou a manobra inconstitucional. O presidente Zelaya insistiu. O judiciário mandou as forças armadas retirarem o indivíduo do poder. Institucionalmente, ninguém agiu de maneira errônea. Alguns colunistas norte-americanos até tentaram classificar o uso das forças armadas como excessivamente brutal. Talvez a polícia fosse o órgão mais apropriado. Essa sensação de brutalidade, porém, vem do fato de que os EUA proibem as forças armadas de operarem em território nacional, a doutrina do posse comitatus, que não existe nos outros países. A constituição hondurenha inclusive dá direitos amplos às forças armadas quando agindo em defesa da constituição. De qualquer forma, brutalidade seria se as forças armadas estivessem governando o país. Nada! Quem governa é o presidente do congresso, seguindo a ordem estabelecida pela constituição. Inclusive, as próximas eleições ocorrerão normalmente de acordo com o governo.

Vamos então ao último critério de legitimidade governamental: apoio popular. Zelaya é um homem do povo, com apoio popular imenso... Curioso é que o ex-presidente não tinha apoio nem em seu próprio partido. Sua tentativa de aterrisar em Tegucigalpa foi frustrada com o fechamento da pista! O ultra-popular e legítimo Zelaya não conseguiu nem um grupinho pra escoltar ele de volta a Honduras. E no processo todo morreram o incrível número de duas pessoas. Não que eu quisesse que morressem mais. Mas nessa semana mesmo, na China, o governo matou mais de cem por causa de protestos nas ruas. Pra se ter um senso de proporções.

Sábado, Junho 27, 2009

Michael Jackson, Diana Krall e sentimentos universais

Fui hoje num concerto de Diana Krall. Excelente por sinal. Mas eu tenho a ligeira impressão de que ela estava... alterada. O que deixou o show melhor ainda. A voz fácil de contralto e seus dotes "jazzísticos" ao piano ficam mais soltos e espontâneos com um pouco de álcool. Ok, ela errou a letra de umas músicas, mas nada que estragasse... A leve embriaguez revelou também um lado mais... pessoal da cantora. Dos comentários entre uma música e outra, deu pra perceber que ela é uma artista bastante orgulhosa, que ressente um pouco a fama maior do marido (Elvis Costello)... mas que ama bastante o marido, filhos e a música... nada inesperado pra uma pessoa normal, mas às vezes esquecemos que artistas são pessoas também.

Um momento do show que, vá lá, me emocionou foram as homenagens prestada a Michael Jackson. Isso me pegou mais do que "Quiet Nights", versão anglicizada de "Corcovado". Uma delas, discreta, veio do baixo: uma linha do começo de "Beat It". Depois, mais explícito, foi um arranjo de "I'll be there" sem voz, ao piano. Foi esquisito porque eu nunca fui ultra-fã de Michael Jackson. Só fui gostar das músicas dele quando já tinha mais de 20 anos. Foi quando eu entendi o impacto dele no mundo pop. Ainda assim eu nunca fui um ultra fã. Por isso eu estranhei minha reação a tudo isso.

Estava cortando cabelo ontem quando a mocinha entre uma tesourada e outra me disse que o Michael Jackson morreu. A primeira coisa que eu pensei foi "uai, ele é mortal?". Sempre tive a sensação de que Michael Jackson pra sempre seria aquele rapaz de 25 anos com uns passos muito loucos e música dançante. E acho que isso foi o aspecto mais chocante. A gente já estava acostumado com a idéia de que o cantor seria sempre aquilo, pra sempre. Pra mim a história toda é mais intrigante que triste. Michael na minha cabeça seria o eterno artista bubble-gum. Não envelheceria nunca.

O que é mais curioso é que Michael Jackson aparentemente também pensava dessa forma. Ou ao menos agia dessa forma. Não estou falando tanto das complicações que ele tinha com a justiça por causa de suas tendências... pedófilas. Falo de seu rancho, Neverland, com brinquedos e montanhas russas. Falo da vida luxuosa que ele levava mesmo sem ter feito um show há mais de 10 anos. Michael parecia não havia aprendido a lidar realmente com as frustrações que a vida adulta trazem e a forma madura de enfrentar os problemas reais. Em suma, ele não tinha aprendido a crescer.

Acho que esse é o ponto que mais me marca. Eu também não aprendi a crescer. No fundo eu ainda me sinto como um adolescente inconseqüente que, a qualquer momento, vai ter um vestibular ou uma formatura ou uma outro evento que me dará uma nova chance pra me reinventar. Só que isso não vai acontecer mais. Agora a vida é pra valer. Tudo que fazemos é... pra sempre. E isso é extremamente difícil de encarar, de aceitar. Às vezes eu fico com vontade de voltar pros tempos de colegial, de faculdade, quando a vida era mais fácil e as coisas tinham conserto. Só que isso é impossível de se fazer. Mas para o rei do pop, nada era impossível. Nem menos parar de crescer.

Sábado, Março 14, 2009

Layla... e a criação do universo

Mais de mil anos antes de ter colocado Eric Clapton de joelhos, Layla levara à loucura um rapaz na arábia do século 7. "Layla e Majnun", um conto tradicional árabe que se espalhou pro oriente chegando até a Índia, conta a história de um amor proibido. Majnun (que de acordo com o artigo da Wikipedia significa "louco") se apaixona perdidamente por Layla. Mas, assim como em "Romeu e Julieta", os pais não permitem o casamento entre os dois. Layla se casa com outra pessoa e, contrariada, morre desgostosa com a vida. E Majnun enlouquece.

Ontem eu vi a versão azerbaijã (não sei se esse é o adjetivo certo) da história, numa versão operática. A peça foi tocada pelo "The Silk Road Project", uma orquestra experimental formada por Yo-Yo Ma com instrumentos e influências baseadas na famosa rota da seda explorada por Marco Polo. Uma outra peça bastante interessante que foi apresentada ontem foi uma suíte baseado no Sulvasutra, um veda sânscrito (link para um mp3 gratuito na página). Foi a primeira vez que eu ouvi uma peça escrita para tabla. Achei genial.

Fica aí a recomendação pra quem está atrás de novos horizontes musicais. The Silk Road Project.

Terça-feira, Março 10, 2009

Crianças e suas estações

Dia desses o clima aqui em Ann Arbor estava ótimo. Dia ensolarado, temperatura em torno dos dez graus... No meio de um inverno que tem média de temperatura abaixo de zero, um clima que não pede mais do que um suéter dá uma alegria indescritível na gente.

Quando voltava pra casa, lá pelas 4 da tarde, eu encontrei minha vizinha, tomando conta do filho no parquinho. A gente conversou um pouco sobre o dia maravilhoso e em certo momento eu comentei que estava "loving the summer". Um menininho, que devia ter lá seus 8 ou 10 anos rapidamente fez uma piada genial: "It feels so much like Summer that I thought it was already dinner time".

A piada foi tão genial que eu levei uns 3 segundos pra entender. Durante o verão de Ann Arbor, o Sol se põe lá pelas 9 da noite então na hora do jantar a claridade é parecida com a claridade de 3 da tarde no inverno.

Pensando um pouco mais sobre o assunto, eu notei uma diferença muito grande em crianças crescendo em países onde as mudanças da estação do ano são marcantes. É comum ver garotinhos de 5 ou 6 anos falando que eles fizeram alguma coisa no último verão. Eu não lembro de, quando criança, fazer esse tipo de alusão. É verdade que em julho eu usava aqueles conjuntos de moletom no verão a roupa era sempre camiseta e bermuda, mas eu não mudava as atividades do meu dia-a-dia. Se eu queria jogar bola na rua em julho, eu jogava bola na rua em julho! Acho que a primeira vez que eu usei a expressão "verão passado" eu devia ter uns bons 15 anos.

Por aqui, as crianças aqui tem marcadores de passagem de tempo extremamente fortes. No inverno tudo fica branco, as árvores desnudam e é época de fazer bonecos de neve, descer o morro de tobogã... e no verão é época de andar de bicicleta, jogar baseball e brincar na rua depois do jantar. Porque o dia ainda está claro.

Segunda-feira, Março 02, 2009

Cinema e intelectualismo...

O filme brasileiro que está mais perto de bater o recorde de público (pós-1995) é, de acordo com o blog da ilustrada, "Se eu fosse você 2". Eu assisti o primeiro filme e confesso que gostei. Não saí da sala de cinema filosofando a respeito do papel do homem ou da mulher na sociedade. Mas eu achei uma comédia engraçada o suficiente pra mim. Diversão pura e simples.

O interessante é notar que o recorde anterior é de "Dois Filhos de Francisco". E que, de acordo com o blog do Judão, as maiores bilheterias nacionais são de filmes da Xuxa, dos Trapalhões ou são porno-soft. Isso não é muito surpreendente. Acharia que o contrário seria mais esquisito.

O que me impressiona é a quantidade de pessoas que pensam que filmes tolos serem sucesso de público indicam má capacidade de discernimento do público e sinal de falência da sociedade. Tolice. Falência da sociedade é quando ninguém tem dinheiro pra ir ao cinema.

Eu fico tentando me imaginar num mundo onde todo mundo adorasse cinema engajado, difícil.

Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

Águas de Março...

Trader Joe's é uma rede de supermercados daqui que se concentra no público BoBo (Bohemian-Burgeois, do livro "Bobos in Paradise"). Então quando você for visitar uma dessas lojas, espere encontrar frutas orgânicas, produtos exóticos, importados... O vídeo abaixo descreve perfeitamente a experiência. Ao som de Águas de Março.



Tirei daqui.