Thursday, January 12, 2012

NFL playoffs rootability guide



College football season is over, so due to the lack of better option I'll have to settle with the NFL. So I decided to look at the menu for this weekend and make my picks, not in terms of who I think would win, but who deserves to win. Scientifically. Employing the same technology North Korea uses to assure their elections are fair.

(Just a parenthesis here: rooting for the Eagles this season was awful. Started strong, began to suck slowly, got out of the playoff race, got itself back on the playoff race, did all the right things in the end of the season. I want to hate them for having a superstar lineup, but I can't because their season was the exact opposite of the Red Sox season this year. I was hating them mid-season, loved the effort early and in the end. Blergh.).

New Orleans (-3.5) @ San Francisco: This is a very hard pick. The cities are even in the fun level, despite having very different styles. Both coaches did the same level of grit this season, with the Harbaugh x Schwartz brawl or Sean Payton's fractured tibia and torn MCL after being tackled on the sidelines. But the quarterback situation makes me lean towards the 49ers. No, I'm not picking Smith is better than Drew Brees. It's just that all I know was from playing Joe Montana's Sega Genesis game.
Edge: San Francisco 49ers.

Denver (+13.5) @ Patriots: The Broncos are heavy underdogs here. And I love how all football analysts get mad with the whole Tim Tebow thing. And then there's the whole Brady hype here in Boston. So Broncos would be the easy pick. But last weekend during I saw the Michigan x Florida during a flight back from Texas and... I was rooting against Tebow. And it felt good, real good. And you know who was in that Michigan team? Zoltan Mesko. It's the Space Emperor going against God. I'm sorry, God, I have to remain loyal to my Emperor.
Edge: New England Patriots.

Houston (+7.5) @ Baltimore: I hate Joe Flacco and I hate because of Fantasy Football. I have no feelings towards the Texans. Plus, they're underdogs with a nice narrative this season. Easy pick.
Edge: Houston Texans.

NY Giants (+8.5) @ Green Bay: I hate the Giants (and all NY/New Jersey teams). And Green Bay last year was a feel good story. This year, they more of a "ESPN loves this story" and the Rodgers thing is making me tired. He's starting to annoy me more than the Favre. And I honestly thing that the Giants team offense depends more on Eli Manning's luck then on Rodgers' skills. But then, BJ Raji does: Look at this man's face.
Edge: Green Bay Packers


Tuesday, January 03, 2012

Algumas curiosidades no embate Keynes x Hayek


Há coisas que não se encaixam em uma resenha, mas que eu não posso deixar de comentar.

Ironias. O fato de que Keynes é considerado o pai do estado interventor enquanto que Hayek é considerado o teórico da iniciativa privada é curiosíssimo diante da realidade que Keynes foi investidor e CEO de empresas enquanto que Hayek nunca teve outra profissão senão o de professor universitário. Um outro aspecto curioso é que Hayek era abertamente anti-conservadorismo.

Animosidade. O embate entre os dois autores seguiu uma estrutura dialética admirável. Havia um respeito intelectual mútuo entre as duas partes, não há dúvidas. Mas a troca de artigos que ocorreu antes da publicação da Teoria Geral de Keynes incluía acusações de uso de termos confusos e falta de precisão intelectual no desenvolvimento de idéias. A briga foi pesada.

Relacionamentos. Keynes foi homossexual assumido até conhecer sua esposa, Lydia Lopokova. De acordo com amigos, Lydia não era a pessoa mais inteligente do universo e seus amigos diziam que o relacionamento foi a união perfeita entre inteligência e beleza. Hayek se casou duas vezes. Curiosamente, sua segunda esposa fora seu primeiro amor, Helene Bitterlich. Por ela já estar casada, Hayek casou com outra mulher, Helen Berta Maria von Fritsch, com quem teve 2 filhos. Assim que a primeira Helene se viu solteira novamente, Hayek se mudou da Inglaterra para o estado norte-americano do Arkansas. Porque as leis de divórico lhes eram mais agradáveis.

Vidente. Keynes foi um acadêmico bastante influente no círculo político britânico, um Pérsio Arida de seu tempo. Entre outras atividades, ele participou do Plano Marshall, de diversas políticas britânicas anti-cíclicas no período entre guerras e do tratado de Versailles. Sua primeira obra influencial, "Conseqüências Econômicas da Paz", foi um ataque ao armistício assinado após a primeira guerra. Keynes previra, corretamente, que o único resultado do estrangulamento da Alemanha seria uma país suscetível a movimentos revolucionários.

Diferenças. Keynes via o desemprego como mal maior enquanto que Hayek enxerga na inflação o problema real. Acho que esse contraste revela um trade-off entre esses dois conceitos. É sempre possível dar emprego pleno contanto que o salário real de uma camada da população seja incrivelmente baixo. A maneira de convencer alguém a trabalhar por um salário real baixo é lhes dar um salário aparente razoável. É aí que a inflação entra.


Friday, December 30, 2011

Dramatizando a Economia

"Keynes Hayek: The clash that defined Modern Economics", Nicholas Wapshott. Nota: L.

Como comentei no post sobre o debate Keynes x Hayek do IBMEC, eu estava lendo o livro Kaynes Hayke de Nicolas Wapshott e escreveria uma resenha sobre o livro. Só que para isso, eu preciso separar a qualidade do livro, das idéias que estão no livro.

Começo de cara avisando que minha ignorância sobre o assunto é imensa e o livro é o primeiro texto sério sobre o tema que li na minha vida. E esse livro não é exatamente o que pode ser chamado de fonte primária. Portanto, se o autor errou em algum ponto, eu não saberia dizer. Feito essa ressalva, o livro é uma verdadeira lição em como transformar um tema árido como uma disputa acadêmica  em uma narrativa empolgante.  A maneira como o livro faz você torcer ora pra Keynes, ora pra Hayek é o motivo pelo qual a nota L foi dada. A descrição dos embates ideológicos são acompanhados de aspectos biográficos coloridos dos personagens. Esse artifício aumenta o nível de engajamento com o livro. Uma outra vantagem desse recurso é que ele remove os mecanismos de defesas ideológicos. Apesar de me alinhar mais com as idéias de Hayek, eu não fui tão defensivo como seria natural, caso eu estivesse lendo um tratado sobre o keynesianismo. O resultado é que quando terminei de ler, me encontrei num ponto neutro: sob alguns aspectos Keynes estava certo; sob outros aspectos ele estava errado.

Se há alguma ressalva, é que o foco do livro é keynesianismo. Mas isso se dá por conta da realidade do embate filosófico. Os adversários dialéticos do keynesianismo foram a escola austríaca e a escola de Chicago. Hayek, apesar de se encaixar na escola austríaca e de ter sido um elo importante entre essas duas escolas (sendo responsável por introduzir Milton Friedman ao círculo liberal europeu), não foi tanto um defensor da economia clássica. Sim, ele foi professor de economia e esse era seu expertise. E sim, ele foi pai do conceito de que o preço agrega as informações que todos os agentes do mercado tem sobre o produto específico. Mas a obra maior de Hayek, "O caminho da servidão", está mais próxima de um tratado sociológico que de um tratado econômico. Como bem descreve Wapshott, Hayek não estava tão preocupado em desconstruir a economia keynesiana da maneira como Mises desconstruíra a economia marxista. Ele estava mais preocupado com as conseqüências políticas da aplicação do keynesianismo. Basta lembrar que foi Friedman quem construiu uma visão alternativa da crise econômica da década de 30 e não Hayek.

Os capítulos finais do livro mostram como as idéias de Keynes foram aplicadas nas economias americana e britânica e como a escola austríaca ressurgiu no pós-keynesianismo dos anos 80. Esse trecho talvez seja menos interessante para leitores fora desses países, mas me foi bastante informativo uma vez que eu conhecia muito pouco da maneira como a economia desses países foi dirigida. É deprimente quando eu contrastei com a economia brasileira pré-FHC. Serviu também para desmistificar bastante da propaganda ideológica a que estou exposto aqui nos EUA. Dado o interesse recente no Brasil na discussão entre Hayek e Keynes, alguém deveria traduzir esse livro para o português.


Monday, December 26, 2011

Argumentos em Keynes x Hayek no IBMEC

Comecei a ler o livro "Keynes Hayek" de Nicholas Wapshot semana retrasada e espero ter uma resenha aqui no futuro próximo, se eu não ficar com preguiça. Mas anteontem eu acabei me deparando com um debate que aconteceu na Academia Brasileira de Letras sobre o conflito ideológico entre os dois.

Admito ignorância imensa no assunto. Até entendo os argumentos dados pelas partes, mas desconheço os aspectos técnicos das obras dos dois autores. Dessa maneira o debate é a forma de mais difícil apreensão pra mim, por conta da velocidade com que os argumentos são jogados. Assim sendo, eu acabei assistindo os vídeos com um lápis e papel na mão anotando os pontos levantados pelos quatro debatedores. Achei que a densidade e o número de pontos levantados foram tantos que talvez algum perdido na internet possa se interessar por minhas notas. Resolvi então compartilhar minhas notas.

Antes, fica aqui um comentário: eu não dei muita bola pros comentários do moderador Guilherme Fiúza. Também não dei muito valor às piadas e instrumentos puramente retóricos utilizados pelos debatedores. Finalmente, apesar de ter parafraseado os argumentos, evitei minhas opiniões ou interpretações do que foi dito. Qualquer erro aqui é por conta de uma falha de compreensão minha, seja por minha ignorância, seja por viés seletivo involuntário.



Jennifer Hermann (início aos 14 minutos do primeiro vídeo): Começa com uma referência a Hyman Minsky como o pensador que fecha a visão de Keynes no que diz respeito a crises da economia. Em seguida separa a crise atual em três crises distintas: a americana, a da europa "central" e a da europa "periférica", que tem etiologias diferentes. Faz uma defesa de Keynes no que diz respeito às suas opiniões com relação à importância das liberdades individuais e bom funcionamento do capitalismo. A diferença entre Keynes e Hayek é a de que um acredita que as liberdades levam a um capitalismo efetivo enquanto que Keynes acredita que uma economia sadia levará a liberdades individuais. Comenta a importância dos "Animal Spirits". Em seguida comenta a teoria de crises de Minsky e de que as crises ocorrem por conta de frustrações de investidores. Comenta que a crise americana é uma crise-mãe enquanto que as outras crises são periféricas e, isoladas não seriam tão problemáticas. O motivo é a falta de segmentação dos mercados bancário e o de capitais. A contaminação causada pelos mercados de capitais gerou uma crise sistêmica. Em contraste, a crise imobiliária dos anos 70 [não encontrei referências] ou a crise do setor imobiliário japonês. A falta de regulação gerou um peso excessivo do mercado de capitais na economia gerou uma crise sistêmica e rápida.

Rodrigo Constantino (início aos 35mins do primeiro vídeo): Comenta a importância da atuação dos Bancos Centrais nas diversas crises. Crises dessa magnitude ocorrem quando há frustração coletiva, não individual e isso só ocorre quando há distorção na economia. Essa distorção acontece sob a forma de impressão de moeda como tentativa de solução para uma crise anterior. O efeito cumulativo da sucessão de bolhas cada vez maiores é perigoso. Como membro da escola austríaca de economia, o problema é a visão da economia através dos dados agregados. Além disso, o uso da inflação como solução é problemático pois a inflação é um instrumento de transferência de renda indesejada. O conceito de "Animal Spirits" é falacioso, nenhum investidor é "burro". E recessões fazem parte de ciclos econômicos, são fenômenos naturais. Crítica o uso da curva de Philips como instrumento econômico. e cita um artigo de Thomas Sowell [não encontrei este artigo]. Já houve um estímulo de 3,5 trilhões de dólares para estimular a economia e isso não foi o suficiente. A teoria econômica keynesiana não pode ser refutada, o longo prazo é uma consideração importante e  keynesianos são alquimistas modernos.


Luiz Fernando de Paula (início aos 7mins do segundo vídeo): Crítica da visão "caricatural" do keynesianismo. Por que é que essa crise não aconteceu antes? [eu não compreendi o contexto] Crises são sim endógenas e o keynesianismo deve agir somente durante a crise. A intervenção keynesiana não é puramente expansionista, apenas uma função do estágio do ciclo econômico. O objetivo é buscar um ponto de equilíbrio entre o estado e o mercado. Os cálculos keynesianos não dependem apenas da demanda agregada mas levam em conta a perspectiva de demanda futura. O problema é que informações não são perfeitas o que impede decisões completamente racionais. O que os keynesianos defendem é, utilizando a nomenclatura de Joseph Stieglitz, a importância da estabilidade macroeconômica sobre a estabilidade de preços, que é função de um equilíbrio interno ou equilíbrio externo [o vídeo dá uma explicação mais detalhada a respeito]. O que é importante é que a política fiscal seja adotada como um instrumento anti-cíclico. Em tempos de economia crescente, deve se extrair um superávit, adotar uma política de aumento de reservas. Comenta a opção Brasileira pelo Novo Consenso Macroeconômico mas que há alternativas. Dá o exemplo de China e Índia, como sistemas em que o câmbio é controlado. O que segue é uma série de comentários sobre as opções brasileiras dos últimos 20 anos e diz que o Brasil não sofreu tanto a recessão por conta de manobras que podem ser consideradas keynesianas. Em seguida, faz críticas a medidas tomadas pelo governo com as quais ele não concorda.

Roberto Castello Branco (29 mins do segundo vídeo): Declara-se um seguidor da escola de Chicago e não um membro da escola austríaca. A ênfase a no uso de teorias baseadas em evidências, a importância do capital humano e o uso dos instrumentos de economia para estudar outros comportamentos [a la Freakonomics]. Critica o conceito de "Animal Spirits" por ser mal definido. E crítica Keynes por considerar os mercados como naturalmente instáveis ao contrário dos liberais que consideram os mercados estáveis. Considera o multiplicador keynesiano uma conceito absurdo, dá como exemplo medidas adotas por Obama e usa a idéia de que não existe "free lunch". Não há sustentação teória ou empírica ao multiplicador keynesiano. Do lado empírico, veja como a recuperação de uma crise é lenta independente da presença do estímulo. Quem gera crises são governos. O New Deal não funcionou nos EUA; o responsável pela recuperação da economia foi a Segunda Grande Guerra. No Brasil, as medidas horríveis adotadas por Getúlio Vargas (ações preferenciais, lei de concordatas e falências, CLT) foram medidas keynesianas. Keynesianismo funciona porque dá base teórica para medidas populistas, mas não são eficazes. A base da crise americana foi a liberação do crédito imobiliário como medidas populistas da era Clinton/Bush e esta expansão é a raiz da crise. Na Europa o problema é outro. Crítica ao capitalismo francês, um capitalismo com privilégios. A França é rica e pode arcar com este modelo, mas países menos prósperos como Portugal têm que reduzir os gastos do governo e não tem condições de dar privilégios aos seus trabalhadores como a França faz. O Brasil abraçou o modelo francês. O maior problema do brasil é a falta de infra-estrutura física. O problema tributário do Brasil levará trabalhadores ao setor informal, que é mais ineficiente. A economia cresce exatamente por causa do regime flexível de câmbio, pois este encoraja a produtividade. Cita um trabalho de Sebastian Edwards, da UCLA. 


Friday, December 23, 2011

Happy Festivus!

I don't know how relevant Seinfeld still is, specially with Louie stealing his place as the token genius comedy show on TV. But a girl laughed at a "draping myself in velvet" joke. And that is a strong indication I should celebrate Festivus for another year. As if I needed another reason to celebrate Festivus when there's the Airing of Grievances. For those who don't know this sacred tradition, we should be lashing out on the world about how we have disappointed by it.

So here you go, 2011, a list of things that disappointed me this year:

NBA: I was already pissed off by not having games to watch and having to hear about how removing 1% out of 52% is lack of respect. But then you came and removed Chris Paul from the Lakers in a way that got Lamar Odom to the Mavs. Thanks to that, the Lakers Kobe-induced hibernation will come one year earlier than it should and I'll be having flashbacks of the mid-90s during this season. And the worse part is that I can't even hate on the Clippers because it's not their fault. The only silver lining is that I can root against the Heat.

Physics: So the LHC started operating routinely and nothing exciting came out from there. Yeah, for a while we were talking about superluminal neutrinos and I'm still not sure whether or not they exist or not. And then, there's the potential for the existence or not of the Higgs boson, the troll particle of the Standard Model. So there were some developments. But reading about this, as much as it tickles my geek bones, doesn't really excite me. It's too much talk about number of sigmas and too little about time traveling or exploding things. It was much more fun when we were talking about how the Higgs boson was traveling in time and destroying the experiments to detect it. I want those times back. Physics used to be like the crazy funny uncle that came and told crazy stories about his life. Now he got married and his wife is pregnant and living a life that makes sense. I miss the crazyness.

Fidel Castro's health: You know Fidel, this was supposed to be your year. With all the rumors in 2010, and with you resigning from being the dictator of Cuba Head of the Communist Party, we were sure that you'll be going to settle your afterlife issues with Che this year. But you failed. You allowed Kim Jong-Il to, once again one up you. He already beat you in the race for nuclear weapons and mind control of citizens. He has the best thematic tumblr in the universe. Now this. Boo, Fidel Castro, boo.

São Paulo Futebol Clube: Really? You managed to lose in every single respect to Corinthians this year. You screwed up on every category, including washed-up-player-hiring (Rivaldo x Adriano), stadium-that-will-host-the-world-cup. Pathetic.

Europe: Ah, the old continent. It used to be that whenever you guys disagreed on something, you just engaged in a ridiculous war that dragged all the other countries into conflict. But now you just hold mindless meetings that make as little sense and ruin your economies as much as the wars did. But, alas, lives are saved which is a good thing. The only thing I really miss are the epic names: 100 years war, 80 years war, world wars, war of the Roses. I propose a solution: start naming the meetings. I want to see the "pound-euro meeting" or the "100 hours meeting".

Now, for the Feats of Strength. Any takers?




Thursday, December 22, 2011

Test post

6ZZDP2G992YB

Uma análise crítica do funk contemporâneo

Montagem (MC Cabide) - "Tá com fome?" 


Essa obra é uma crítica direta e abrasiva ao conceito Keynesiano do estado de bem-estar social que diversos governos implementaram no pós-guerra. O coro que, como no teatro clássico grego representa o povo, fica a reclamar da falta de alimentos como que esperando uma solução milagrosa. A resposta dada aos reclames da população, "pega um sanduíche e come" é um chamado aos populares para que, ao invés de reclamar da fome, que busquem saciar suas necessidades por conta própria. Note ainda que a solução proposta é uma clara referência à frase atribuída à Maria Antonieta ("Que comam brioches") dando uma ambiguidade à solução proposta. O brado libertário ganha uma perspectiva ambígua já que carrega uma conotação de insensibilidade. Note ainda que há uma ênfase na falta de uma solução universal aos problemas do mundo, ou de única solução para um determinado problema. O "sanduíche" é capaz de resolver a fome, mas não a sede. Neste caso é necessário um "copinho de leite" ou ainda um "copinho de suco". Sutil mas genial.

Avassaladores - "Sou foda"


Aqui temos um outro brado libertário, mas que prefere Ayn Rand a Milton Friedman. Ao invés de buscar solucionar um problema social, essa obra salienta o que talvez seja o problema mais pessoal possível: a satisfação sexual. Mas aqui, ao invés de uma solução individual, temos um eu-lírico que se propõe a resolver os problemas utilizando suas habilidades, melhores que a de todas as alternativas disponíveis. A responsabilidade do indivíduo é enfatizada através do aviso ("mas não se esqueça/que eu sou vagabundo") que segue as promessas de prazer. A menção à eternidade ("desde que a putaria começou a rolar no mundo") dá um ar místico, quase espiritual que nos remete à idéia de que a forma do mundo é fixa e o máximo que podemos fazer é aceitá-la.

Mulher Melancia - "Balancê"
 

O conflito gerado pela diferença entre as velocidades do desenvolvimento de novas tecnologias e da difusão destas na sociedade são pano de fundo para esta canção. A educação como mecanismo para cobrir este vão é o instrumento utilizado pela Mulher Melancia, que através de uma música crítico-pedagógica, procura levar às massas ignaras o conhecimento da "nova dança/que veio pra ficar". Não podemos deixar de felicitar a cantora por seu esforço em educar através da música, uma tarefa difícil, mas necessária para que as camadas menos privilegiadas da sociedade tenham capacidade de competir com aqueles poucos que tem acesso às maneiras mais modernas de se balançar o bumbum. Seria interessante ver o impacto deste projeto pedagógico na mobilidade social brasileira dos próximos anos.