Saturday, February 24, 2007

Educação no Brasil


Li hoje um artigo excelente na revista Trópico analisando estudos feitos sobre a educação no Brasil, comentando sobre como o governo varre pra debaixo do tapete os resultados. E eu acho que o artigo acertou em cheio em seu diagnóstico quando cita a relação entre o professor e o aluno como um fator importante no desempenho escolar.

Acho que se algo deve tentar ser alterado é a posição que a escola tem na sociedade brasileira. Eu lembro muito bem como o conceito de estudar era visto como uma punição e como coisas como "fazer tarefa" e "estudar pra prova" eram consideradas coisas asquerosas. É normal os alunos/crianças terem isso em mente, porque existe na cabeça dela uma óbvia oposção entre escola e diversão. O problema existe quando a família do aluno compartilha dessa opinião.

Eu lembro por exemplo que pais de alunos protestavam quando os filhos tinham tarefa no fim de semana porque isso atrapalharia a viagem pra praia no fim de semana, e que muitos pais consideravam aborrecedor assinar os bilhetinhos, provas e participar das reuniões de pais e professores. E isso porque eu estudei em uma escola particular! Imagina como não deve ser em escolas públicas onde os filhos estão estudando "de graça": os pais tem menos motivação ainda pra acompanhar os filhos. Pior ainda para famílias carentes, pois pra família, escola se opõe a uma renda potencial que o filho perde por não "estar na rua ganhando um dinheiro".

Ao mesmo tempo, o professor, que não tem respeito dos alunos e dos pais dos alunos, também é desvalorizado pela própria sociedade. Professores, mesmo no ensino privado, não ganham tão bem, não tem status nem respeito (existem alguns professores que ganham bem: professores de cursinho, mas os professores em geral, esses sofrem...), não tem muito incentivo pra tentar criar afinidade com alunos, transformando a relação em um conflito. E não existe computador em sala de aula, nem dinheiro pra biblioteca que resolve uma situação em que o aluno não é capaz de ver a escola como um caminho para o sucesso.

Só mais alguns comentários sobre como eu são as coisas por aqui na gringolândia. As escolas públicas são mantidas por impostos escolares (school tax) e o dinheiro é gerenciado localmente. Os responsáveis por manter esse dinheiro são candidatos eleitos pelos residentes na população, os famosos "school boards". Eles costumam ter uma autonomia gigante para resolver o currículo e as políticas adotadas na região (o que pode não ser excelente como o caso de Dover PA, que resolveu ensinar criacionismo como ciência...). Os limites que eles encontram costumam estar relacionados com os organismos que doam dinheiro. O governo federal, por exemplo, impõe algumas condições para as escolas que aceitam o financiamento. Se a escola achar as condições restritivas, pode desprezar a fonte. Muitos estados impõem regras pro funcionamento das escolas, todavia. O que uniformiza mais o currículo das escolas são as universidades, que analisam o currículo de todos os candidatos, forçando as escolas a ensinarem o conteúdo que as universidades desejam.

No comments:

Post a Comment