Tuesday, May 29, 2007

Natureza vs. Homem?





Eu estava botando em dia os meus feeds RSS e vi esse artigo no Inkycircus sobre biólogos protegendo focas monges havaianas (tradução literal...) através da caça de 10 tubarões de galápagos, predadores das focas. O interessante é que os tubarões também são espécies ameaçadas, então a questão é a de escolher o menor risco.



Isso me fez lembrar as aulas de Engenharia Ambiental que eu tive na faculdade. As aulas trabalhavam mais com questões como impacto ambiental de grandes obras, mas durante todo o curso, havia uma ênfase nos efeitos das tais ações antrópicas. A importância desse tipo de estudo é óbvia e não precisa de menção. Mas o que sempre me incomodou é que a abordagem era sempre colocada em termos de como o homem é malvado e como ele destrói a natureza para benefício próprio, confundindo a questão da ecologia com a questão das lutas sociais e da esquerda. O homem é sempre posicionado do lado de fora dos habitats, é considerado o grande predador dos outros seres vivos como se a nossa inteligência fosse uma maldição e que toda vez que a utilizamos, fatalmente estaremos fazendo um mal. O "inconsciente coletivo" de hoje está muito cruel com o próprio homem.



Isso me lembra o caso do urso Knut. Este é um caso típico desse pensamento levado ao extremo. Os sapienfobos (pessoas que temem os H. sapiens...) condenam à morte um urso polar porque ele já não é considerado mais um urso: ele está domesticado e não age como um urso. Ele não se encaixa no modelo do que é um urso, foi estragado pelo ato insensato do homem. Acontece que isso não é a primeira vez que um animal foi domesticado. Cachorros, gatos, vacas, porcos, cavalos, todos eles foram domesticados pelo homem ao longo da história. Até mesmo o trigo e o milho são espécies de grama selecionadas ao longo de gerações para produzir os grãos que tanto amamos, o que não deixa de ser uma espécie de domesticação - a domesticação da grama. E mais, o homem não está só na sua "destruição" da natureza. Castores adoram fazer barragens em rios e assim desviam o curso de muitos deles. Elefantes são capazes de criar clareiras em florestas.



Eu não estou aqui tentando defender a idéia maluca de que o homem não é mais capaz de gerar influência do que os outros animais. Não. A questão do Efeito Estufa está aí pra mostrar como a capacidade de trabalhar em escala do homem pós revolução industrial é capaz de alterar a natureza de forma significativa. E para os que não aceitam o aquecimento global, o caso do buraco da camada de ozônio do final do século XX prova o mesmo ponto. O que eu estou tentando dizer é que alguns extremistas "verdes" têm escolhido animais em detrimento de homens. E que isso é contra-producente para a própria causa que eles defendem. Quando uma pessoa que tem que trabalhar, ganhar a vida e está preocupada com o que vai ter para comer no café da manhã é exposta aos danos que o aquecimento global vai causar aos pingüins, eu não o culpo por ele dar de ombros. Eu também faria o mesmo. Ou vai dizer que o pingüim se preocupa com o valor do salário mínimo?



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4 comments:

  1. Acho que vai demorar para sentirmos os resultados de qualquer medida, afinal são pelo menos 200 anos de industrialização, com pico expressivo nos últimos 50 anos (pós-guerra e globalização). Enquanto isso muito vai ficar na discussão se é ou não efeito do homem. O CFC foi rápido, pois era um efeito relativamente recente e apenas em um aspecto ambiental.

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  3. Um blog interessante, sobre o tema do aquecimento global. Do tipo como conversar com um cético.
    illconsidered.blogspot.com
    Interessante como eles têm vários sites deste gênero (evolucionismo, cientologia, etc.)

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