Thursday, May 31, 2007

Tuberculose voadora





Todos os noticiários científicos agora estão caindo em cima do caso de Andrew Speaker, um advogado norte-americano portador de uma linha de tuberculose resistente a anti-bióticos. Talvez o caso tenha aparecido até no jornal nacional, tamanha a repercursão.



O indivíduo, contra recomendações médicas, pegou um vôo transatlântico para passar a lua de mel na Europa junto com sua esposa. Para voltar para casa foi necessário voar até o Canadá e atravessar a fronteira dirigindo, pois ele estava na lista de passageiros proibidos de voar nos EUA (lista que foi criada após os atentados terroristas). A estupidez da atitude desse indivíduo não tem tamanho e agora as companhias aéreas estão contatando os passageiros que estavam no mesmo vôo de Speaker para ver testar os passageiros. Mas esse caso me fez pesquisar o Bacilo de Koch.



Robert Koch(1843 - 1910), o médico alemão que é considerado um dos pais da biologia foi o cientista que isolou pela primeira vez o Mycobacterium tuberculosi e ligou a doença ao bacilo. Que por isso recebe o seu nome. Essa descoberta rendeu a ele o prêmio Nobel de 1905. Ele também defendeu a idéia de que a tuberculose bovina e a humana eram causadas por seres diferentes e que portanto não havia contaminação de uma espécie para outra. Foi provavelmente estudando a tuberculose e o cólera que Koch chegou nos princípios que decidem se uma bactéria é responsável por determinada doença: coisas que hoje em dia são consideradas bestas, como estar presente nos contaminados, ser capaz de gerar a doença, mas que na época eram algo revolucionárias.



O M. tuberculosis mais especificamente é um bacilo aeróbio obrigatório e é um Gram positivo apesar de não ser facil de se aplicar contrastes através do método de Gram. Ele é capaz de resistir a desinfetantes e consegue viver em ambiente secos sem se reproduzir.

A parte interessante é que essa bactéria é capaz de sofrer mutações genéticas de maneira a adquirir imunidades a antibióticos - caso do nosso amigo Speaker e que a primeira linha, isolada por Koch ainda existe. Assim, uma questão interessante a se fazer seria comparar o genoma das linhas imunes com as linhas do século passado da bactéria para tentar acompanhar como se deu sua evolução! Infelizmente, essa idéia não é nova, e foi já foi testada nesse artigo de 2003. Ainda não li além do abstract então não sei exatamente até onde eles conseguiram chegar com os dados, mas se os resultados forem interessantes o suficiente, quem sabe os malucos americanos do criacionismo acreditam na teoria da evolução, não?

1 comment:

  1. Foi filadaputice do cara. Ele sabia que não podia viajar e pega um avião espalhando o BK pra todo mundo... Tomara que o bichinho mate o filadamãe...
    Ele é chamado de BAAR (bacilo álcool-ácido resistente) e não se cora com o GRAM mesmo, sendo necessárias colorações específicas. Vide aqui . E é essa capacidade da membrana resistente à coloração tem a ver com a resistência dela ao meio ambiente.
    Mais sobre tuberculose em www.TuberculosisTextbook.com.
    Na verdade foi Deus que criou o bichinho multirresistente pra castigar filaduputas que nem esse.

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