Tuesday, June 26, 2007

Vamos prender a sociedade!

A Folha de Hoje traz uma entrevista com o pai de Leonardo Andrade, um estudante de de 19 anos que, junto com mais quatro amigos, espancou e roubou a empregada doméstica Sirley Pinto, de 32 anos. O pai da vítima já está adotando um método esdrúxulo de defesa.
Folha - O sr. já falou com ele?
Bruno -
Não. É um deslize na vida dele. E vai pagar caro. Está detido, chorando, desesperado. Daqui vai ser transferido. Peço ao juiz que dê a chance para cuidarmos dos nossos filhos. Peguei a senhora que foi agredida, abracei, chorei com ela e pedi perdão. Foi a primeira coisa que fiz quando vi a moça, foi o mínimo que pude fazer. Não é justo prender cinco jovens que estudam, que trabalham, que têm pai e mãe, e juntar com bandidos que a gente não sabe de onde vieram. Imagina o sofrimento desses garotos.

Folha - O sr. acha que eles tinham bebido ou usado droga?
Bruno -
Estamos com epidemia de droga. A droga tomou conta do Brasil. O inimigo do brasileiro é a droga. Tem que legalizar isso. Botar nas farmácias, nos hospitais. Com esse dinheiro que vai ser arrecadado, pagar clínicas, botar os viciados lá, controlar a droga.

Folha - Mas o sr. acha que eles poderiam estar embriagados ou drogados?
Bruno -
Mas é lógico. Uma pessoa normal vai fazer uma agressão dessa? Lógico que não. Lógico que estavam embriagados, lógico que podiam estar drogados. Eu nunca vi [o filho usar droga]. Mas como posso falar de um jovem de 19 anos que está na rua numa epidemia de droga, com essas festas rave, essas loucuras todas.


A lógica deste senhor é impressionante. É preciso legalizar as drogas para poder botar os viciados lá e controlar a droga. Peraê. Então o filho dele era viciado ou não? Se não era viciado, então ele utilizou drogas porque quis. E, portanto, ele foi irresponsável. E se ele era viciado, então como é que um pai deixa um filho viciado ir participar de uma rave? É um descalabro. O pai, ao invés de ir lá dar um safanão no seu filho, fica aí tentando defender os "pobres coitados". Mostra que a culpa é sim dele, que não soube educar direito. Esse cara está é tentando esconder o filho atrás de um debate mais sério e mais adulto sobre a legalização das drogas. O filho dele, por mais estudante, jovem que trabalha, que tem pai e mãe, não é nada diferente dos outros bandidos que eles não sabem de onde vieram. Eles são criminosos.

Lógico, grita geral que vai começar a atribuir isso à questão da desigualdade social. É meio forte, afinal os criminosos e as vítimas são de classes sociais diferentes. Mas peraí? Até ontem, não era a pobreza que causava a violência? Agora a riqueza também causa? Sei não. Existe violência originada na desigualdade social, mas a minha opinião é de que esse não é o caso. Aqui, a violência foi causada por meninos mimados, que não aprenderam a respeitar os outros. Mas agora a moda é essa. Vamos culpar a sociedade. Sociedade, a nossa Geni.

Update: Hoje eu vi uma declaração da Sirley Pinto sobre os crimes e sobre a punição:
"Eles têm que pagar pelo que fizeram? Têm. Mas até perdôo pelo fato de eu ser um ser humano. Não é que eles podem ser soltos. Eles têm que pagar. Por que eles não pensaram em ser crianças na hora de me agredir, de me bater, de me xingar?"
Fenomenal. A empregada doméstica demonstrar uma sapiência infinitamente superior ao do pai do adolescente e a até de muita gente boa no Brasil. Ela definiu bem. Perdoar não é eximir. Punição criminal não é julgamento da condição social ou moral da pessoa mas julgamento do ato do indivíduo. E criança não bate e xinga os outros.

3 comments:

  1. Neste caso basta a justiça ser bem aplicada. Mas como nossos antecedentes judiciários não são bons, como do índio Galdino, vai acabar no tapinha nas costas. Triste. Acho que a grita por justiça, tortura e espancamento desses jovens é por causa da ineficiência da justiça resultando em quase impunidade vista em casos semelhantes anteriores.

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  2. Atualização: a vítima não reconheceu Leonardo entre os agressores. Acho que o maior crime dele nesse caso foi a omissão, pois estava com o grupo. Mas também não justifica as barbaridades que o pai disse.

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