Wednesday, July 18, 2007

Duas patas bom, quatro patas ruim




De tempos em tempos, os jornalistas resolvem ler revistas científicas para eleger como a matéria queridinha. E a matéria que agora está em todas as páginas fala a respeito de uma pesquisa que mostrou que chimpanzés dispendem menos energia andando sobre duas patas que sobre quatro. Eu já falo mais sobre isso, mas antes eu preciso comentar o tratamento dado a essa matéria pelos jornais. O portal G1 colocou na manchete que o homem pode ter virado bípede por preguiça! Já o UOL foi mais modesto e disse que o homem virou bípede para economizar energia. Comparem essas matérias com a notícia da Nature e do Estadão Online para ver que eles reduziram o aspecto sensacionalista.

Agora voltando ao tema original... O grupo, da Universidade do Arizona, ensinou chimpanzés a andar em duas patas e em seguida fez uma medição da quantidade de oxigênio consumido durante a respiração. A medição tem como objetivo medir a quantidade de energia gasta durante a caminhada. A conclusão que o grupo chegou é que os chimpanzés gastavam mais energia andando em quatro patas que em duas, mas que em todos os casos, homens gastam menos energia. Além disso, o grupo chegou à conclusão de que a vantagem só existe por causa da anatomia dos chimpanzés.

A principal reação de produção de energia no corpo humano é a respiração celular, uma reação de oxidação da glicose; a energia produzida durante essa reação é utilizada na fosforilação de ADP produzindo ATP, que por sua vez é transportado para as áreas da célula que usam essa molécula como fonte de energia. Nada mais razoável então que medir o consumo de O2 para tentar achar a quantidade de energia gasta. Tirando que é excessivamente trabalhoso medir a concentração de oxigênio no ar. Muito mais fácil é medir a concentração de CO2! O gás carbônico é opaco à luz infra-vermelha (efeito estufa!) e um sensorzinho baseado nessa idéia é simples e barato de se implementar! Como as variações de CO2 e O2 são proporcionais, a medição de um é suficiente para obter a medida de outro... inclusive é assim, com um instrumento chamado capnógrafo, que médicos fazem monitoramento online de pacientes. A medida mais precisa, a gasometria, é demorada e precisa de sangue arterial e venoso para ser feita.

Uma segunda coisa que eu gostaria de ver (e vou procurar no artigo original) é uma discussão sobre as relações entre a energia necessária para vencer a dificuldade de se equilibrar em duas patas. Não sei exatamente como isso seria feito... talvez seja desprezível, uma vez que os chimpanzés foram ensinados a andar sobre duas patas... Mas a dúvida que eu coloco é a seguinte: se o chimpanzé consome menos energia para andar em duas patas, porque ele anda em quatro patas?

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