Monday, July 02, 2007

Poder e culto à personalidade

Nessa semana que se passou o primeiro-ministro britânico Tony Blair abriu mão da sua posição para o novo líder do Partido Trabalhista inglês Gordon Brown. As notícias sobre o assunto focam bastante sobre as diferenças no estilo de governo e sobre o legado de Blair, que afinal foi o líder durante 10 anos. Mas uma das coisas que eu acho mais interessantes e, portanto, relevantes está ligado à própria relação entre o poder e o dono do poder. Tony Blair, ao sair do palácio, não saiu xingando meio mundo, nem prometeu que o mundo vai acabar nem nada assim. Saiu e pronto. O mesmo vale para o presidente americano. Apesar de os democratas adorarem falar sobre como Bush é um criminoso fascínora por ter decretado uma guerra ilegal (não importando o mérito dessa acusação), o negócio é que ele sai do poder em 2009. Por mais que a eleição dele tenha sido ganha em cima do medo do terrorismo, ele não tem como utilizar este argumento para extender seu mandato. Isso simplesmente não tem como acontecer.

E a razão é que nesses países, a tradição é maior do que o líder. O rito do poder temporário é mais importante do que qualquer emergência que está se passando. A forma como isso funciona é diferente nos dois países. O Reino Unido tem uma rainha e uma família real carismática, coisa que primeiro ministro nenhum consegue usurpar. Nem mesmo Winston Churchill que ganhou a 2a. Guerra Mundial conseguiu ser mais importante que a Rainha Vitória para a população. Já nos EUA, a crença nacional é de que as instituições da liberdade e da democracia e o equilíbrio desenhado entre as duas pela constituição é mais importante que qualquer indivíduo. Quando eu visitei o primeiro prédio do congresso americano (o West Wing do Independence Hall), o guia fez questão de falar que um dos atos mais importantes que ocorreu lá foi um ato do executivo: o primeiro presidente americano George Washington, mesmo com todo carisma, apoio popular e sem nenhuma oposição constitucional, recusou concorrer a um terceiro mandato e garantiu uma transição de governo tranquilíssima para o segundo presidente.

Os contra exemplo óbvios são o Hugo Chavez, os "presidentes" da ex-Iugoslávia e da África e líderes de algumas repúblicas islâmicas. Além, é claro, das monarquias absolutas do mundo afora. Mas o Brasil ainda sofre um pouco dessa mal. O Lula é uma pessoa que cultiva o culto à personalidade, assim como alguns caciques partidários ACM, Sarney, Aécio Neves, Ciro Gomes... A obsessão pelo poder era um mal que FHC também sofria. Levou até à votação da permissão de um segundo mandato, que eu acho ser um precedente horrível para a história da república no Brasil. O problema é que instituições só se consolidam com o tempo. Não tem revolução que resolva isso não.

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