Friday, October 19, 2007

E o que que o governo tem a ver com isso?

Na capa do UOL de hoje eu vi uma chamada para uma notícia sobre o MPF acusando uma faculdade de montar uma turma exclusiva para um senador. A Faculdade Alfa teria criado um programa especial para que o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) e sua esposa Valéria Perillo pudessem assistir aulas em horários que lhes fossem convenientes, segundas, sextas e sábados pelas manhãs. Quando li de cara achei que era um absurdo, mas eu não sabia de um detalhe: a escola é particular.

O MPF considera que foram desrespeitados "os princípios da isonomia e da generalidade na prestação de serviços públicos". É o princípio que obriga universidades a oferecerem um vestibular feito em um concurso público aberto e que uma escola não pode oferecer serviços privilegiados para alguns. Eu concordo com esse conceito em escolas públicas (e até acho que esse princípio é suficiente para invalidar qualquer tentativa de implementar um sistema de cotas, mas isso é outra história). Agora porque escolas privadas devem se submeter a essa estupidez? Não consigo enxergar um simples motivo pelo qual isso se justificaria.

Se uma escola particular resolver formar um corpo discente constituído de uma forma ridícula, isso, na minha opinião é problema da escola. É até do interesse da escola, por exemplo, ter o direito de não admitir alunos que tenham um nome ruim no Serasa, porque afinal isso é um bom indicativo de que haverá calote! Ou então querer uma declaração de renda. A escola é particular e o problema deveria ser resolvido como um contrato qualquer, um contrato entre as duas partes. Um contrato de ensino. Se uma escola resolver só admitir alunos que tenham ao menos um sobrenome "Silva", é problema da escola. Esse é o tipo de interferência que eu acho estúpido e contraproducente.

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