Friday, December 30, 2011

Dramatizando a Economia

"Keynes Hayek: The clash that defined Modern Economics", Nicholas Wapshott. Nota: L.

Como comentei no post sobre o debate Keynes x Hayek do IBMEC, eu estava lendo o livro Kaynes Hayke de Nicolas Wapshott e escreveria uma resenha sobre o livro. Só que para isso, eu preciso separar a qualidade do livro, das idéias que estão no livro.

Começo de cara avisando que minha ignorância sobre o assunto é imensa e o livro é o primeiro texto sério sobre o tema que li na minha vida. E esse livro não é exatamente o que pode ser chamado de fonte primária. Portanto, se o autor errou em algum ponto, eu não saberia dizer. Feito essa ressalva, o livro é uma verdadeira lição em como transformar um tema árido como uma disputa acadêmica  em uma narrativa empolgante.  A maneira como o livro faz você torcer ora pra Keynes, ora pra Hayek é o motivo pelo qual a nota L foi dada. A descrição dos embates ideológicos são acompanhados de aspectos biográficos coloridos dos personagens. Esse artifício aumenta o nível de engajamento com o livro. Uma outra vantagem desse recurso é que ele remove os mecanismos de defesas ideológicos. Apesar de me alinhar mais com as idéias de Hayek, eu não fui tão defensivo como seria natural, caso eu estivesse lendo um tratado sobre o keynesianismo. O resultado é que quando terminei de ler, me encontrei num ponto neutro: sob alguns aspectos Keynes estava certo; sob outros aspectos ele estava errado.

Se há alguma ressalva, é que o foco do livro é keynesianismo. Mas isso se dá por conta da realidade do embate filosófico. Os adversários dialéticos do keynesianismo foram a escola austríaca e a escola de Chicago. Hayek, apesar de se encaixar na escola austríaca e de ter sido um elo importante entre essas duas escolas (sendo responsável por introduzir Milton Friedman ao círculo liberal europeu), não foi tanto um defensor da economia clássica. Sim, ele foi professor de economia e esse era seu expertise. E sim, ele foi pai do conceito de que o preço agrega as informações que todos os agentes do mercado tem sobre o produto específico. Mas a obra maior de Hayek, "O caminho da servidão", está mais próxima de um tratado sociológico que de um tratado econômico. Como bem descreve Wapshott, Hayek não estava tão preocupado em desconstruir a economia keynesiana da maneira como Mises desconstruíra a economia marxista. Ele estava mais preocupado com as conseqüências políticas da aplicação do keynesianismo. Basta lembrar que foi Friedman quem construiu uma visão alternativa da crise econômica da década de 30 e não Hayek.

Os capítulos finais do livro mostram como as idéias de Keynes foram aplicadas nas economias americana e britânica e como a escola austríaca ressurgiu no pós-keynesianismo dos anos 80. Esse trecho talvez seja menos interessante para leitores fora desses países, mas me foi bastante informativo uma vez que eu conhecia muito pouco da maneira como a economia desses países foi dirigida. É deprimente quando eu contrastei com a economia brasileira pré-FHC. Serviu também para desmistificar bastante da propaganda ideológica a que estou exposto aqui nos EUA. Dado o interesse recente no Brasil na discussão entre Hayek e Keynes, alguém deveria traduzir esse livro para o português.


No comments:

Post a Comment