Tuesday, January 03, 2012

Algumas curiosidades no embate Keynes x Hayek


Há coisas que não se encaixam em uma resenha, mas que eu não posso deixar de comentar.

Ironias. O fato de que Keynes é considerado o pai do estado interventor enquanto que Hayek é considerado o teórico da iniciativa privada é curiosíssimo diante da realidade que Keynes foi investidor e CEO de empresas enquanto que Hayek nunca teve outra profissão senão o de professor universitário. Um outro aspecto curioso é que Hayek era abertamente anti-conservadorismo.

Animosidade. O embate entre os dois autores seguiu uma estrutura dialética admirável. Havia um respeito intelectual mútuo entre as duas partes, não há dúvidas. Mas a troca de artigos que ocorreu antes da publicação da Teoria Geral de Keynes incluía acusações de uso de termos confusos e falta de precisão intelectual no desenvolvimento de idéias. A briga foi pesada.

Relacionamentos. Keynes foi homossexual assumido até conhecer sua esposa, Lydia Lopokova. De acordo com amigos, Lydia não era a pessoa mais inteligente do universo e seus amigos diziam que o relacionamento foi a união perfeita entre inteligência e beleza. Hayek se casou duas vezes. Curiosamente, sua segunda esposa fora seu primeiro amor, Helene Bitterlich. Por ela já estar casada, Hayek casou com outra mulher, Helen Berta Maria von Fritsch, com quem teve 2 filhos. Assim que a primeira Helene se viu solteira novamente, Hayek se mudou da Inglaterra para o estado norte-americano do Arkansas. Porque as leis de divórico lhes eram mais agradáveis.

Vidente. Keynes foi um acadêmico bastante influente no círculo político britânico, um Pérsio Arida de seu tempo. Entre outras atividades, ele participou do Plano Marshall, de diversas políticas britânicas anti-cíclicas no período entre guerras e do tratado de Versailles. Sua primeira obra influencial, "Conseqüências Econômicas da Paz", foi um ataque ao armistício assinado após a primeira guerra. Keynes previra, corretamente, que o único resultado do estrangulamento da Alemanha seria uma país suscetível a movimentos revolucionários.

Diferenças. Keynes via o desemprego como mal maior enquanto que Hayek enxerga na inflação o problema real. Acho que esse contraste revela um trade-off entre esses dois conceitos. É sempre possível dar emprego pleno contanto que o salário real de uma camada da população seja incrivelmente baixo. A maneira de convencer alguém a trabalhar por um salário real baixo é lhes dar um salário aparente razoável. É aí que a inflação entra.


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