Tuesday, June 19, 2012

Pondé, Sakamoto, a ostentação e o politicamente correto

Numa dessas coincidências curiosas, o bafafá do gerado em torno do artigo do Leonardo Sakamato aconteceu no manhã depois de eu terminar de ler o livro do Luiz Felipe Pondé. Eu esperava uma desconstrução da filosofia, na linha d'"O guia politicamente incorreto da História do Brasil". Mas esse livro o livro é uma coluna de jornal jogando pedras no pensamento politicamente correto. Um ensaio filosófico, como se propõe o autor.

O ponto fundamental que Pondé critica é a insidiosidade do pensamento politicamente correto nos aspectos de nossas vidas. Não pude deixar de reparar que se trocarmos "politicamente correto" por ora "modernidade", ora "revolucionário", o texto seria uma versão um pouco menos erudita de uma coluna de Olavo de Carvalho. Aliás, eu acho que Pondé se inspirou em Olavo mas não quis dar crédito, pra não ser classificado como olavete.

O livro ataca o politicamente correto por vários aspectos. Culpa o movimento pela covardia moderna, pela mediocridade, por ideologias igualitárias, até mesmo por ansiedades internas de feministas. Mas ele não comenta um dos aspectos mais explícitos do politicamente correto: a definição da violência na expressão, a violência verbal. O politicamente correto parte do conceito de que é possível machucar uma pessoa através da expressão verbal e de que a inviolabilidade do indivíduo abrange esse tipo de "agressão". Daí a defesa de punições contra o "hate speech", a criminalização do "bullying"... Não é muito fácil de fazer um julgamento de valores em cima desses tópicos. Minha opinião sobre a legislação contra o "hate speech" está entre a burrice e a censura, mas uma tentativa de conter o "bullying" em escolas é importante.

O que não é difícil é ver que a conseqüência natural desse movimento é a criminalização de todo tipo de provocação. E é essa linha jurídica que justificaria a proposta idiota de Okamoto. Ostentação nada mais é que uma provocação, semelhante a uma pessoa que xinga a mãe do outro num bar. Por isso a incapacidade de perceber que ele está basicamente culpando a vítima pelo crime, problema que ele já discutiu antes.

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