Tuesday, April 02, 2013

Quando a razão e a lógica se esvai num tiro de três pontos



Eu admito ter uma pequena obsessão com eventos esportivos. Sim, eu gosto de praticar esportes, mas o prazer que eu tenho em assistir eventos, analisá-los, é infinitamente maior. E não é só uma distinção de grau, é uma distinção de tipo. Correr, nadar, jogar basquete dá aquela sensação agradável de quem fez alguma coisa, mais ou menos parecido com a de atingir uma meta no trabalho ou provar um teorema. É difícil mas é uma consequência natural de esforço e dedicação. Não há nada milagroso nisso.

Já o ato de torcer para um time é um ato de confiança, um ato de fé. Você não está lá dentro suando a camisa. Você está do lado de fora, suando frio, emoções indo e vindo de acordo com a performance de um grupo de atletas que nada tem a ver com você. Esse tipo de alegria e de tristeza genuínas que vem de um evento do qual você não tem nenhum controle dá, paradoxalmente, uma sensação de liberdade para sentir despudoradamente. Esse tipo de experiência, fundamentalmente inconsequente, dá vazão a uma necessidade à minha necessidade de ser ilógico, irracional, supersticioso de entender que tem coisas na vida que fogem do meu controle e que eu devo que fazer as pazes com isso.

Não é coincidência que meu fanatismo esportivo cresceu na medida em que passei a ter mais controle das pequenas coisas da minha vida. Durante meu doutorado, quanto mais claro ficavam meus circuitos genéticos, mais eu gostava de me perder no caos das temporadas de basquete, hóquei e futebol americano da Universidade de Michigan. Foi assim que virei fã. E como bom fã, assim que soube que um jogo entre a meu time e o time da Universidade de Kansas, pelas oitavas de final do torneio nacional de basquete universitário* seria relativamente perto, em Dallas, comprei um ingresso com amigos e fui.

*Nos EUA, esportes universitários, principalmente basquete e futebol americano, são bastante relevantes.

Kansas era o time favorito. A maioria dos analistas previam uma derrota por 10 pontos. E o jogo quase se deu como os analistas previam:


Faltando pouco menos de 3 minutos para terminar o jogo, Michigan perdia por 11 pontos. A esperança já me abandonara. Pensamentos auto-consoladores me diziam que a temporada tinha sido boa e que ano que vem seria melhor. Ainda assistia o jogo pra aplaudir os atletas e notar a maravilhosa cesta completamente sem ângulo de um de nossos jogadores que ainda está tentando logo após roubar a bola do atleta de Kansas. E de nosso melhor jogador, Trey Burke, que pressionara o rival tão bem que o relógio estourou. A gente vai perder, a distância é grande demais mas nosso time ainda está lutando! Bem, eles acabaram de fazer outra cesta, mas Trey Burke, três pontos!, mas 5 pontos em 30 segundos... eita eles erraram e Glen Robinson!, só precisamos de 3 pontos em 21 segundos... mas eles tem a bola e... ugh... bandeja, 3 pontos de diferença mas lance livre pra eles, vai ser impossível... Kansas errou! bola é nossa, precisamos de três, precisamos de três, precisamos de três,


PRECISAMOS DE TRÊS.

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