Saturday, May 11, 2013

Os vagabundos de Sakamoto

O Leonardo Sakamoto escreveu um artigo interessante sobre os críticos do bolsa-família e indaga por que é que esses não reclamam do dinheiro dado pelo governo aos ricos. Eu digo interessante porque eu também tenho problemas com as pessoas que criticam o bolsa família na base. Eu entendo que ele tem algumas conseqüências complicadas no mercado de trabalho, mas eu enxergo vantagens na caridade institucional através de um programa incrivelmente barato para o governo.

O problema é que Sakamoto é difícil de ser levado a sério porque ele sofre do males crônicos de autores descendentes de Rousseau. No caso desse texto, por exemplo ele escreve covardemente "não estou criticando ninguém" depois de dedicar um parágrafo criticando aqueles que induzem comportamento a partir de um caso, e os que pagam mais por uma garrafa de vinho do que gastam com salário de empregados. É o tipo do autor que parte de uma idéia (vamos criticar os vagabundos ricos, afinal o governo gasta com eles a dívida pública?) e tenta forçar a realidade pra se conformar com sua idéia. É por isso que ele precisa toma algumas liberdades como a acima.

Ele se esquece por exemplo de que "filhinho-de-papai" é um termo comum e pejorativo em todos os estratos sociais. Assim como "latifundiários" ou "industriais" é pejorativo em vários círculos. Ele mesmo usa a ironia do dízimo, ironia que funciona porque é parte da cultura corrente considerar o pagamento de dízimo uma transferência de renda pra uma instituição já rica e vagabunda. Já faz parte da cultura corrente criticar os vagabundos ricos tanto quanto os vagabundos pobres, ele não propõe nada de novo.

O problema maior com o texto do Sakamoto é que ele voluntariamente ignora que a crítica FUNDAMENTAL do discurso liberal contra o controle do fluxo de dinheiro pelo estado é a geração de vagabundos, tanto ricos quanto pobres! É a mesma crítica que Lobão fez da lei Rouanet, que gera vagabundos da classe artística. É a mesma crítica que muitos fazem ao investimento do estado em pesquisa, que gera vagabundos na classe intelectual. É a velha crítica do Reinaldão aos jornalistas que são sustentados pelo governo. É a crítica dos que não gostam do BNDES.

Sim, Sakamoto está se referindo especificamente ao gasto governamental com a dívida pública, mas aí é falsa ingenuidade da parte dele. Ele sabe muito bem que juros em dívida pública não é doação de dinheiro pra quem é rico e sim remuneração por recursos emprestados ao governo. Se eliminássemos o bolsa-família, o estado teria mais dinheiro. Se zerássemos o juros na dívida, ninguém emprestaria ao estado e ele teria menos dinheiro.

E essa sacanagem argumentativa é importante porque para Sakamoto, o rico que deve ser criticado não é exclusivamente o vagabundo, aquele que toma o recurso do BNDES mas não produz. Ele também critica o rico que investe, faz lucro e empresta esse lucro ao governo, como deixa escapar em "(...) com distribuição imediata (e não depois que o bolo crescer)". E é esse tipo de discurso que faz o criticado ser tachado de fundamentalmente comunista. Criticar vagabundo rico é a essência dos que criticam o comunista.

2 comments:

  1. hum... cara... recomendo ter regularidade e ser "rasoável" com o caso(e qualquer outra coisa relacionada ao governo)... veja... políticos ( não gosto de generalizar... mas tudo bem) costumam ser cegos, digo, eles estão no ambiente deles, recebendo a curto conhecimento deles, para lidar com algo que é muito grande, que é uma população... isso acaba gerando certas idiotices e confusões entre as coisas que eles fazem... por isso .
    Olha... mesmo que você faça uma analise meticulosa, sobre o que cada pessoa falou, cada caso... e blablabla, isso seria muito pequeno, e iria tomar uma certa parte de cada cérebro..., levaria muito tempo e também levaria a erros... o que levaria a um pensamento político...(no sentido dado acima de "políticos"...) tipo, você conseguiria alcançar algo: X. mas ainda iria sobrar outras coisas, e quando você mechesse nelas você iria acabar desmanchando X.

    Temos que concordar, ricos que simplesmente não contribuem..., apenas atrapalham... pois eles tomam recursos...
    Temos que concordar, pobres que simplesmente não contribuem...., apenas atrapalham... pois eles tomam recursos.

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  2. Bom é a inexistência de argumentos da sua parte.

    Diz ai então como dar cabo ao bullying nas escolas. Se você mesmo diz que é tudo uma frescura, tudo "provocação de boteco"...

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