Saturday, January 23, 2016

Gilgamesh


Resenhar um livro de mais de 2 mil anos é um ato patético. Os autores já se foram há muito tempo. E ninguém vai ler ou deixar de ler livro algum por conta de um abobalhado na internet. E no entanto, cá estou, escrevendo sobre o livro.

Mas, rapidamente, segue a história pra quem já não a conhece. Gilgamesh foi um rei Sumério, mortal mas com algum sangue divino. No início da história, ele é um rei injusto e cruel, mas temido por conta de sua força divina. Seus súditos pedem ajuda aos deuses, que enviam Enkidu, uma figura rústica e forte, tão forte quanto Gilgamesh. Eles se confrontam, o embate termina em empate e Gilgamesh e Enkidu viram amigos. O texto não diz explicitamente que Gilgamesh passa a ser justo, mas essa é uma conclusão razoável.

Em seguida, Gilgamesh e Enkidu combatem um demônio na floresta, desafiam e vencem uma deusa, sonham e interpretam sonhos e viajam. Ao ver seu amigo Enkidu ficar doente e morrer, Gilgamesh passa a refletir sobre sua própria mortalidade. Decide então tentar virar um imortal e vai atrás de um antepassado que virara imortal em função de ter salvado a humanidade de uma inundação.

Eu li a tradução em inglês, de Stephen Mitchell. Ele utilizou uma técnica interessante. Ao invés de tentar traduzir direto da língua acádia, que ele desconhece, ele resolveu remontar uma tradução a partir da coletânea de traduções existentes. E remontou como se ele tivesse reescrevendo a história, em inglês, ao invés de traduzir palavra a palavra. O resultado é bom. Essa tradução oferece um pulso poético agradável, que me lembra uma cantiga antiga. 

Não conheço nenhuma tradução em português. Se você quiser recomendar alguma, poste aqui!

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