Saturday, April 30, 2016

Entrevista com ex-guerrilheiro.

Isso aqui é mais uma série de notas de uma outra entrevista no programa Dossiê Globo News. Esse vídeo parece que saiu do ar também, mas o link está aqui. Segue as notas abaixo:

- 3:35: Descrição do planejamento de uma ação fracassada ("ele chama de operação realizada até a metade"). O alvo era o Comandante Humberto de Souza Melo quando ele pra Igreja, domingo de manhã.
- 5:00: A expressão "laços de confiança" que se refere à relação entre o entrevistado e um companheiro da ALN mostra que esses caras estavam em clima de guerra. O armamento, note, é pesado.
- 5:54 O fato de uma patrulha do DOI/CODI ter chegado no momento da operação mostra que o serviço de inteligência da ditadura até que eficiente. Um pouco antes, no vídeo (~4mins) o entrevistado fala sobre o encapsulamento da informação. Provavelmente o DOI/CODI tinha um agente infiltrado ou na ALN ou no MRT.
- 7:00 Descrição de um stand-off tarantiniano.
- 7:31 "Aqui vai morrer muita gente general"/"Não, aqui hoje ninguém vai morrer". Note a diferença de prioridades entre os dois lados.
- 8:42 Logística da fuga após o fracasso. A casualidade com que ele descreve a logística de uma ação de guerrilha urbana me dá medo.
- 9:03 "Nesse dia a gente salvou a vida de um monte de gente (...)". A gente quem, cara pálida? Acho que a única demonstração de apreço pela vida humana foi do general.
- 9:30 Minha suspeita de que havia um infiltrado se confirma. Um militante do MRT foi posteriormente descoberto.
- 9:52 Três membros da ALN envolvidos na operação seriam mortos futuramente.
-10:00 "Era um inimigo que estava do outro lado". Se esconde atrás do golpe militar pra justificar a própria falta de compaixão pelo general. E depois despeja os clichês esquerdistas que vocês conhecem bem da aula de história.
-11:29 Respeita o comandante do exército como um combatente corajoso. O clima mental era de guerra.
-12:30 Descreve três alvos para sequestro. Todos empresários.
-13:30 Descreve a "Quinzena Marighella". Uma série de ações de guerrilha rural, no Maranhão combinada com ações em cidades para chamar atenção e uma campanha pelo voto nulo. Captura do embaixador inglês no Rio de Janeiro e uma panfletagem aérea. Morte do líder cancelou todas as operações.
-16:30 Embaixador inglês só não foi sequestrado porque o responsável por sondá-lo estava fora preso. ALN parecia ser alvo fácil de Fleury àquela altura.
-18:34 Ele era desertor do exército.
-19:45 Descrição do tribunal da ALN.
-20:19 Descrição do Delegado Fleury.
-20:40 "Nós queremos nossos desaparecidos".
-21:28 Ligação com um general cubano para apoiar a guerrilha no Brasil com 100 combatentes armados.
-24:40 ALN não recebeu dinheiro de Cuba.
-25:40 "A esquerda não jogou nada na rua." A própria família tinha vínculos com a esquerda (JEC) antes mesmo da revolução.
-26:40 "Derrubar a ditadura para estabelecer uma democracia popular."
-26:59 "Quando conheci Marighella eu decidi que ele seria meu líder. Decidi colocar minha juventude, minha vida sob o comando de Carlos Marighella.
-27:20 Descreve que sua deserção do exército foi premeditado. "Quero que você vá lá pra duas coisas. Aprender a obedecer. (...) Quero que você aprenda como pensa um militar." Não fala sobre potencial infiltração, que é o que eu imagino ser um elemento importante.
-29:30 Armamento pesado. O cara é um artista militar, sem dúvida.
-31:40 "O primeiro dever de todo revolucionário é se manter vivo".
-32:18 Assassinato do presidente da Ultragás Boilesen. Diz que este participava de seções de tortura.
-33:00 Descreve a mãe como enfermeira de guerrilha. É a guerrilha genética. Sensação de que era uma guerra, todos são alvos válidos.
34:50 Algum remorso? "Todo combatente tem marcas de guerra".
35:30 Tinha 19 anos quando matou a primeira pessoa, um agente do inimigo. 
38:00 "Eu sou um humanista".
39:00 Descrição do Márcio Leite de Toledo. Execução. "Ação de organização". Desertor por 40 dias. Se reintegra. Deserta pela segunda vez durante uma ação. "Atos sucessivos desse tipo foram sendo cometidos." Pede pra ele se exilar. Se esconde atrás da institucionalidade da ALN.
44:40 "Guerra é guerra".
45:40 "Nunca saí me queixando que atiraram em mim." Constituição de 46 era democrática. "Tortura não é combate."
48:30 "O nosso lado foi todo investigado".
50:38 "Se for pra julgar meus atos, aí eu serei julgado à revelia".


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