Tuesday, February 14, 2017

Um rápido comentário sobre democracia, CIA, esquerda e Trump

Em uma democracia ninguém é obrigado a gostar do presidente. Mas mesmo uma democracia impõe limites à oposição. Esse tipo de oposição limitada surgiu no contexto de implementação da democracia na monarquia inglesa: o conceito da oposição leal (loyal opposition). A lealdade à rainha pode ser conciliada a uma oposição ao primeiro ministro. Esse é o tipo de acordo que reduz a violência pois retira da oposição legitimidade para implementar um golpe. Xingar o primeiro-ministro, OK. Mas depor o primeiro-ministro fora da ordem estabelecida em Westminster é ser desleal ao soberano.

Na ausência de um soberano, a lealdade da oposição pode ser a uma constituição, a uma república, ou a um ideal. Nos EUA, a tendência é a lealdade à constituição. A esquerda americana está transformando o ambiente cultural ao adotar uma oposição desleal à constituição. A idéia de rediscutir o colégio eleitoral, estabelecer impeachment sem uma clara imputação criminosa, etc. é uma quebra do contrato estabelecido pela constituição. É uma posição defensível aquela que diz que, em defesa da república, vale reformar a constituição. Mas as consequências são terríveis.

O Brasil é um clássico exemplo de um país onde a lealdade da oposição é à república, não a uma constituição. Desde 1889 tivemos inúmeras revoluções que adotaram novas bases e a desculpa sempre foi a de que a quebra institucional era necessária pois a nação está em risco. A topeirice da esquerda americana está se mostrando espetacularmente incapaz de perceber o peso dessa alteração. A partir do momento que a esquerda se declara real defensora da república contra Trump, ela libera a base de sustentação popular do Trump a dizer exatamente a mesma coisa. O resultado só pode ser um: guerra civil.

A esquerda americana tem que entender que a escolha que eles estão fazendo não é entre o caos de Trump ou a ordem (do partido) democrata. A escolha que eles estão fazendo é entre 8 anos de Trump ou o caos.

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